Entre os processos de proteção contra a corrosão de peças de aço e de ferro fundido, o citado (por bateladas) é o mais eficiente, pois, diferentemente de outros processos, confere proteção de duas formas: por barreira e catódica.
Neste processo, a peça é totalmente imersa no banho de zinco líquido (zinco fundido entre 450 e 490ºC) e toda a superfície da peça que permitir acesso será protegida
Proteção por barreira
Na proteção por barreira, o revestimento de zinco isola todas as superfícies internas e externas de contato com os agentes oxidantes presentes no meio ambiente. Isto ocorre pela penetração do zinco na rede cristalina do metalbase, resultando em uma difusão intermetálica, ou seja, na formação de ligas de Fe-Zn na superfície de contato. Este processo torna o revestimento integrado desde o metal-base até a superfície, onde a camada formada é de zinco puro. Veja detalhes na figura abaixo.

Esta característica única do produto galvanizado confere alta resistência à abrasão do revestimento, permitindo o manuseio para armazenagem, transporte e montagem mecânica, sem danos à superfície. A camada de Fe-Zn mais próxima da alma da peça chega a ter uma dureza até superior à da própria peça.
Proteção catódica
Além desta proteção mecânica (barreira), o principal motivo de se utilizar o zinco neste processo é a proteção catódica que ele ocasiona sobre a peça. O zinco é mais eletronegativo, mais anódico que o ferro contido no aço, isto é, tem a propriedade de atrair mais elétrons em uma ligação química. Por isto, o zinco sofre corrosão preferencialmente ao aço, sacrificando-se para proteger o ferro. Este processo aumenta a proteção em casos de o revestimento sofrer danificação que provoque cavidades (riscos) na camada de zinco. Os sais de zinco, formados na corrosão do zinco, por serem aderentes e insolúveis, se depositam sobre a superfície exposta do aço, isolando-o novamente do meio ambiente. Este processo assemelha-se a uma cicatrização. Veja a figura abaixo:

A camada de zinco depositada apresenta uma espessura usual de 75-125 um em peças. Com jateamento abrasivo antes da galvanização, pode-se atingir uma camada com até 250 μm (1 μm = 0,00 1 mm) de espessura de camada uniforme.
Neste processo, a peça é totalmente imersa no banho de zinco líquido (zinco fundido entre 450 e 490°C) e toda a superfície da peça que permitir acesso será protegida. A molhabilidade da superfície da peça alcança-se com facilidade em função da boa fluidez do zinco fundido.
Atualmente é um processo bastante utilizado e difundido na Europa e na América do Norte, porém, no Brasil não podemos dizer o mesmo por uma simples questão de cultura e, principalmente, pela falta de conhecimento e divulgação nos meios acadêmicos. Naqueles países, a galvanização é utilizada em vergalhões galvanizados para fabricação das armaduras metálicas de construções com concreto, perfis estruturais ("steel framing"), perfis de aço em substituição aos dormentes de madeira para ferrovias, etc.
Ainda hoje, às vésperas da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, é muito comum e nada difícil encontrar profissionais da área de construção civil e arquitetos que desconheçam o processo de galvanização, assim como suas diversas e possíveis aplicações em suas obras.
Constitui-se no processo de melhor custo/benefício em relação a outros processos de proteção contra corrosão, como óleo, tintas, vernizes, resinas e outros. Além do mais, conforme a agressividade do meio ou da região em que se encontram as peças, existe ainda a possibilidade de garantir uma proteção extra do galvanizado com a pintura sobre a sua superfície, processo conhecido como Duplex. Este processo pode prolongar a vida útil de uma peça em até 2,5 vezes em relação à peça simplesmente protegida apenas com pintura.
Em função de ser um processo simples, rápido e acompanhar o desenvolvimento sustentável, as empresas de galvanização conseguem atender ao mercado de forma rápida e eficaz e estão disponíveis em todo o país com instalações de diversas capacidades e equipamentos de processo.
Atualmente existe uma tendência para o uso da galvanização em construções metálicas e nos aços em casas. Estas edificações são erguidas rapidamente, sem maiores transtornos à vizinhança, e comparando-se às construções de concreto, tem-se uma redução significativa de consumo de água e no tráfego de caminhões, visto que as estruturas são produtos semi-acabados, havendo redução de entulhos gerados por escavações, já que as dimensões e a resistência mecânica do aço permitem menores fundações, e assim por diante.
Precisamos nos conscientizar de que necessitamos de construções sustentáveis, ou seja, com vida útil longa, com componentes de alta durabilidade, minimizando, desta forma, o uso dos recursos naturais.
Paulo Silva Sobrinho
Coordenador Técnico do ICZ Instituto de Metais Não Ferrosos
paulo.sobrinho@icz.org.br