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Data: 29/07/2010
Fonte: IBRAM
Volume corresponde a 25% da produção anual do País; siderúrgicas anunciam investimentos para atender indústria do petróleo
As encomendas do pré-sal desafiam a indústria siderúrgica nacional. Com a multiplicação das compras da Petrobras anunciadas no seu último plano estratégico, somente a demanda por aço para plataformas e sondas pode chegar a 5,3 milhões de toneladas de aço até 2020, de acordo com levantamento do iG baseado em estimativas do gerente de Tecnologia de Materiais do Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras, Carlos Cunha Dias Henriques. O número equivale a cerca de três meses de produção de laminados no País.
Segundo Cunha, cada plataforma demanda em média 46 mil toneladas de aço. Para cada sonda são gastos cerca de 28 mil toneladas da matéria-prima. O executivo lembra que o último levantamento do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) apontava necessidade de 1,9 milhão de toneladas de aço de 2009 a 2017. Segundo ele, o número ainda não considerava a exploração do pré-sal.
A Petrobras anunciou a contratação de 84 plataformas e 53 sondas de perfuração até 2020, entre 504 barcos de apoio e outros equipamentos. A maioria das encomendas para exploração de novos campos de produção de petróleo deve ser destinada ao pré-sal, que terá investimentos de US$ 33 bilhões, segundo o plano de negócios. Outros US$ 75,2 bilhões estão previstos para o pós-sal. Os recursos dependem da capitalização que a companhia quer realizar até setembro.
As siderúrgicas se sentem preparadas para atender à demanda do setor de petróleo. Foi reforçada a produção de aços especiais (duplex, revestidos, inoxidáveis); ligas de níquel, tubos bimetálicos e materiais com polímeros são algumas soluções que estão sendo fornecidas à Petrobras para a exploração das reservas, localizadas a seis mil metros de profundidade.
Corrosão dos materiais
As condições de temperatura e pressão dos poços da nova fronteira exploratória são adversas, mas o ponto que mais preocupa a Petrobras é a corrosão dos materiais. A maior quantidade de gás carbônico nas reservas do pré-sal exige materiais mais resistentes à corrosão, como destacou Cunha.
"Quando falamos em aço duplex não estamos falando de um material novo, mas de produto que não justificava a produção em larga escala. Agora temos uma cadeia produtiva estimulada tanto para a produção de linhas flexíveis ( para o pré-sal) e para o refino", afirma o presidente da ArcelorMittal Inox do Brasil, Paulo Roberto Magalhães Bastos, para quem as novas descobertas abrem caminho para a produção desses produtos.
Com planos de erguer uma nova laminadora em Tubarão, no Espírito Santo, a ArcelorMittal não descarta a produção de chapas voltadas para o setor naval, embora a prioridade seja a indústria automotiva e de eletrodomésticos.
O diretor-executivo de aço especiais da Gerdau, Joaquim Guilherme Bauer, lembrou que a companhia já começou a se preparar para dar conta das novas encomendas do setor naval. A empresa instalará um laminador de bobinas a quente em sua usina siderúrgica de Ouro Branco, em Minas Gerais, com início de operação previsto para 2012. Também já havia anunciado a construção de outro laminador, de chapas grossas, também em Minas. Os dois novos laminadores terão capacidade instalada de 1,9 milhão de toneladas por ano, que poderá ser elevada para 3 milhões de toneladas anuais.
A Usiminas criou uma área de óleo e gás no ano passado para atender a este novo mercado. A companhia anunciou que pretende investir US$ 400 milhões para fabricar no País um tipo de aço mais resistente para compor as plataformas e sondas. O vice-presidente de negócios da Usiminas, Sérgio Leite de Andrade, afirmou que espera elevar em três milhões de toneladas a capacidade de produção de aços planos nos próximos dois anos, atingindo dez milhões de toneladas anuais. Os executivos participaram do 65º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), que está sendo realizado durante toda a semana no Rio de Janeiro.
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