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No mesmo barco

Data: 02/03/2010
Fonte: 24 Horas News

(Vol. 66 | Páginas 19 e 20)

Siderúrgicas buscam suprir a demanda extra e ampliar a participação no mercado de aços navais e para tubos API

As novas demandas de aço para suprir a indústria de petróleo e gás estão estimulando algumas siderúrgicas nacionais a investir em tecnologias, rever processos e a própria infraestrutura de produção existente, visando não ficar fora do mercado do pré-sal.

Até o final deste ano, por exemplo, a Usiminas colocará em operação um novo processo de resfriamento acelerado de chapas grossas, com tecnologia japonesa, se habilitando a fornecer aço com qualidade naval e para tubos API, de acordo com as novas especificações da Petrobras.

O investimento total de cerca de US$ 800 milhões elevará em 500 mil toneladas/ano a capacidade atual (2 milhões de toneladas/ano, incluindo Cubatão) dechapas grossas da siderúrgica, segundo informou Francisco Luis Araújo Amerio,superintendente geral da usina de Ipatinga (MG), onde os novos projetos estão sendo implementados. Desse acréscimo,a empresa espera que 400 mil toneladas/ano sejam absorvidas pelas novas necessidades da indústria de petróleo e gás.

Cientes das oportunidades e desafios,outras siderúrgicas como ArcelorMittal Inox Brasil, CSN, Gerdau, Villares MetaIs e V&M do Brasil também prevêem investimentos em melhoria de processos, pesquisa e desenvolvimento e mercado, mas não há projetos específicos.Contudo, todas as empresas confiam no perfil de seus porftólios, baseadas inclusive na aceitação de alguns produtos já fornecidos à indústria de petróleo e gás, e na flexibilidade de seus processos para se adaptar a novas exigências, quando as demandas estiveram mais definidas.

É assim que raciocina Antoine Durand,coordenador do Vallourec Presalt Project (VPP), da V &M do Brasil, tradicional fornecedora da Petrobras de tubos para revestimento de poços e condução de fluidos. além de tubos de line-pipes, de 200 até 300 milímetros de diâmetro, destinados a exportar os fluidos do sítio de exploração até a primeira usina de tratamento."AVMB trabalha lado a lado com a Petrobras para que a exploração da província de Pré-sal, na costa brasileira seja bem-sucedidà; diz Durand.

A CSN, que desde a década de SOatende o segmento de petróleo e gás, fornecendo aços para fabricantes de tubos com costura das normas API 5L e API 5CT "vê com entusiasmo a perspectiva da forte expansão desse setor'; segundo Roberto Luiz Silva Germano, gerente de desenvolvimento de produtos. "Para esse segmento, estamos capacitados a fornecer bobinas laminadas a quente de baixa, média e alta resistências, com espessura máxima de 12,7mm e largura máxima de 1575mm, na norma API até a especificação X65 e outras normas afins'; afirma Germano. Futuramente, segundo ele, "a CSN estará apta a desenvolver e disponibilizar para o setor até a especificação XSOna norma API 5L para fabricação de tubos com costura destinados ao transporte de gás, petróleo e derivados':

Entre as grandes tendências desse mercado, o gerente de tecnologia da Villares MetaIs, Celso Barbosa, destaca o consumo de peças forjadas próximas à forma final (near net shaping), incluindo o tratamento térmico final. Barbosa prevê também o crescimento de revestimentos (clad) utilizando-se ligas praticamente imunes à corrosão, como a Inconel 625 e similares, visando, sobretudo, soluções mais econômicas.

A Villares Metals tem sido tradicional fornecedora ao segmento petroleiro, segundo Barbosa, por meio de sua linha de peças forjadas e, mais recentemente, fertando barras de aço inoxidável martensítico para a fabricação de tubos. Outro destaque são os blocos forjados para árvore de natal molhada, cabeça de poço (subsea wellhead), alojadores, conectores e manifolds.

As peças forjadas (barras redondas) para a fabricação de componentes e equipamentos utilizados nas principais etapas da produção, da prospecção ao refino, também são forneci das pela Gerdau, além de outros produtos como os arames e as piatinas (perfil chato obtido a partir do processo de laminação a frio) segundo Joaquim Guilherme Bauer, diretor-executivo de Aços Especiais Brasil do Grupo. Essas últimas são empregadas na fabricação de cabos umbilicais, que fazem a conexão entre a plataforma e os equipamentos de extração de óleo e gás no fundo do mar, e em perfis estruturais para plataformas, módulos e quipamentos sub-sea.

A ArcelorMittal Inox Brasil, que produz inox plano para diversas aplicações, incluindo tubos de condução de óleo e gás, trocadores de calor e tanques de armazenamento, também quer ganhar market share. Atualmente, a usina faz aços inoxidáveis ferríticos (K39MD) e austeníticos (304L, 316L, 347, 317L) e dois tipos de duplex (UNS S32205 e UNS S32304), segundo o presidente Paulo Magalhães. O executivo acredita que os duplex serão muito requisitados, por suas características. Os duplex que a empresa produz reagem bem contra a corrosão e têm resistência mecânica superior aos aços inoxidáveis austeníticos.

 


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