Steel frame reduz tempo da obra em 50%

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Os sistemas steel frame e wood frame, muito utilizados no exterior, chegam ainda de forma tímida às cidades brasileiras, em especial do interior. O trabalho consiste em utilizar estruturas de aço ou de madeira para formar o “esqueleto” da construção, e o fechamento é feito com placas de gesso acartonado ou placas cimentícias é o que dá à obra o status de sustentável, por poluir menos e ser mais ágil. “A maior vantagem é a rapidez de execução, só que aqui ainda temos alguns problemas para utilizar esse tipo de sistema. É preciso ter mão de obra específica e ainda não temos”, observa a diretora da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Maringá (Aeam), Keila Uezi.

A mão de obra para construções desse tipo é escassa, mas tem de ser especializada por tratar-se de uma modalidade a seco, dispensando a visão típica da obra de carriolas e argamassa pelo chão, pilhas de tijolos, areia e caçambas de entulho. O sistema construtivo recebe o nome oficial de “light steel framing”, que designa a estruturação do sistema, feito com aço galvanizado, mais “leve”.

Comum nos Estados Unidos, por exemplo, o sistema foi desenvolvido em terras americanas para corresponder à alta demanda de construções de forma prática e rápida ¿ antigamente feito mais com madeira, atualmente substituída pelas placas de aço. No Brasil a prática, antes usada mais em construções de galpões, há dez anos vem ganhando espaço na construção civil de forma geral.

De acordo com Josélio Rodrigues Junior, engenheiro da Brasgips, empresa que atua na área de construção a seco há 20 anos, a redução do prazo da obra é de 50% se comparado ao modelo convencional. Isso também influencia no valor da construção, que cai de 25% a 30% – um exemplo que ele dá é a construção das agências da Caixa Econômica do Rio de Janeiro, todas padronizadas. “O prazo de licitação era de oito meses, hoje já se faz em quatro meses”, revela.

Quem acredita que o modelo veio para substituir a construção “tradicional”, engana-se. “Não vem para substituir totalmente, mas uma parcela. Viabilizamos para reduzir o prazo da construção”, diz. As vantagens vêm conquistando o público, e a empresa já mantém duas filiais no Paraná, em Londrina e Curitiba.

Com o sistema steel frame, qualquer construção é possível: residenciais, comerciais, industriais, galpões e edifícios de até sete andares também podem ser construídos. A exemplo disso, o estádio Mário Filho, conhecido mais como Maracanã, foi reformado utilizando esse sistema. “Nos últimos seis meses de obra toda a construção de alvenaria foi substituída pelo steel frame. Fizemos todos os camarotes, estúdios de rádio e televisão, cabines e partes técnicas. Com certeza isso contribuiu muito para a rapidez na finalização da obra”, pontua Junior. Para a Copa do Mundo, eles foram contratados para fazer os setores de rádio e TV, com cerca de 25 mil metros quadrados, que será feito em sistema steel frame.

A resistência em aceitar a novidade por aqui se dá pela forma de pensar do brasileiro, acostumado ao convencional e ao que já se conhece. “Talvez seja uma barreira de pensamento, tudo que é novo enfrenta certa resistência”, comenta a engenheira civil Keila Uezi. Para alguns profissionais, o sistema, principalmente o “steel”, é o modo construtivo do futuro.

“É mais rápido que nosso sistema de alvenaria, muito artesanal e muito lento. Vemos muitas pessoas com medo de novidades no método construtivo e a tendência é se acostumar com o comum”, diz a arquiteta Clarissa Broetto.

Fonte: O Diário – Maringá